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  • Marta Rangel

Células estaminais e células mesenquimais

O que é que sabem sobre células estaminais? E sobre células mesenquimais?

Na aula de preparação para o parto de hoje, dada pela enfermeira Célia da Femme, aprendi várias coisas que não sabia, nomeadamente sobre células mesenquimais.



Dito de forma muito simples: as células estaminais existem no sangue do cordão umbilical do bebé, enquanto as células mesenquimais existem no tecido do cordão.

Estas células podem ser recolhidas no momento do parto, após o corte do cordão umbilical e a expulsão da placenta (num parto normal é expulsa através das contracções, numa cesariana, é retirada pelos médicos). O processo não implica qualquer dor seja para o bebé ou para a mãe.

Depois de recolhidas, no momento do parto, estas células são criopreservadas (ou seja, guardadas numa espécie de congelador próprio para o efeito, na empresa com a qual fizerem o contrato) durante 25 anos. Ao longo deste período de tempo, a criança, a mãe ou o pai podem utilizar as células, em caso de necessidade.

Mas para que servem, afinal? As células estaminais são indicadas para o tratamento de doenças como leucemias, linfomas e anemias. Já as células mesenquimais podem ser fundamentais no tratamento de patologias do foro neurológico, cardíaco e outras como a diabetes.

De uma maneira geral, actualmente, existem mais de 80 doenças que podem ser tratadas com estas células. Por exemplo, leucemia, linfomas, anemias, mielomas, doenças hereditárias do sistema imunitário, tumores sólidos que não tenham origem no sangue ou no sistema hereditário, entre outras. Também já existem inúmeros ensaios clínicos que comprovam o sucesso no tratamento de várias doenças neurológicas, auto-imunes, cardiovasculares e outras. É o caso, nomeadamente, da Diabetes tipo I, Alzheimer, Paralisia Cerebral, Autismo, Esclerose Múltipla, Doença de Chron, Lúpus, Enfarte isquémico e Enfarte do miocárdio, entre outras. Segundo a enfermeira Célia, já existem até órgãos - como um coração - feitos a partir de células mesenquimais, devido à sua elevada capacidade de regeneração.

No entanto, as células estaminais não são a solução para tudo. Não servem, por exemplo, para tratar doenças de origem genética. Mas permitem alguma melhoria do doente e ganhar tempo até ser encontrado um dador.

Outra questão importante é que estas células continuam a existir depois do nascimento e, se necessário, podemos recolhê-las através de uma punção lombar (ou várias). Mas há uma diferença substancial: se forem recolhidas no momento do nascimento, estão "virgens". Ou seja, nunca passaram por doenças nem tratamentos. Enquanto, mais tarde, isso já não acontece.

Eu gosto de encarar as células estaminais como uma espécie de seguro de saúde ou de vida. Esperamos sempre que não seja necessário usar, mas, se for, estamos protegidos. A única desvantagem que vejo é que, em Portugal, não existe um banco público (ao contrário do que acontece em Espanha, por exemplo) e este serviço é prestado por empresas privadas e a um custo nem sempre acessível a todas as bolsas: a recolha das células estaminais custa cerca de 900€, e o pack completo com ambas as células ronda os 1600 ou 1700€. Para quem puder, acredito que um investimento na saúde é sempre um bom investimento. E lembrem-se: é um investimento para 25 anos.

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