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  • Marta Rangel

Células estaminais: o que são, para que servem e porque considero um bom investimento

Ao 8º dia de vida, caiu o cordão umbilical da Caetana. Partilho convosco uma foto menos bonita para chamar a atenção para um assunto importante: as células estaminais.


O cordão umbilical da Caetana caiu ao 8º dia

Como mulher, mãe e jornalista, gosto de me informar antes de tomar uma decisão. Já há muitos anos que ouço falar sobre células estaminais e até, profissionalmente, já fiz reportagens sobre o assunto. No entanto, quando tomamos decisões sobre a nossa saúde ou - talvez ainda mais importante - sobre a saúde dos nossos filhos, é ainda mais importante estar bem informada. Além de ter tido uma aula sobre o tema no curso de preparação para o parto, tive também uma conversa com a Joana Gomes, Responsável pela Gestão de Clientes, da Crioestaminal. Não sei se isto é defeito ou feitio, mas a verdade é que fiz-lhe uma verdadeira entrevista! ;) E a Joana, com toda a paciência e disponibilidade, explicou tudo o que eu precisava de saber e esclareceu as minhas dúvidas.

Fiquei a saber que, por norma, as “células do nosso corpo só dão origem a células iguais”, mas as células estaminais “conseguem dar origem a células diferentes”. Portanto, quando a equipa médica colhe, no momento do nascimento, as células estaminais do sangue e do tecido do cordão umbilical ficamos com duas opções para o futuro, em caso de necessidade: “as células do sangue dão origem a todas as células do nosso sistema sanguíneo” e já foram utilizadas no tratamento de mais de 80 doenças como leucemia, anemias mais graves, doenças oncológicas, imunodeficiências, etc. Enquanto as células do tecido do cordão umbilical "dão origem a osso, cartilagem e músculo e têm também a capacidade de modelar o nosso sistema imunitário”. Ou seja, têm uma aplicação “mais voltada para a medicina regenerativa ou doenças auto-imunes como por exemplo a doença do enxerto contra o hospedeiro, em que há uma rejeição do transplante”. Em contexto de ensaio clínico, ou seja, na fase de testes, em laboratório, tanto as células estaminais do sangue como do tecido estão a ser estudadas em doenças como “diabetes, doença de Chron, artrite reumatóide, paralisia cerebral e autismo”.


Dois essenciais que levei para a maternidade: o ovo e o kit da Crioestaminal

A colheita das células é feita no momento do nascimento do bebé pela equipa médica que vai fazer o parto e é possível tanto num hospital público como privado. O processo não tem dor nem para a mãe nem para o bebé, nem apresenta qualquer risco. Na realidade, o cordão umbilical já é sempre cortado. A diferença é que “em vez de se deitar fora, guarda-se” e, assim, “não se desperdiça um bem tão importante”.

Uma outra questão sobre a qual tinha curiosidade é a diferença entre colher as células estaminais à nascença e guardá-las em laboratório ou colher, apenas, mais tarde, a partir da medula em caso de necessidade. A realidade é que são coisas diferentes. As células do sangue do cordão umbilical “só podem ser colhidas no momento do parto”. Estas células são - “jovens e imaturas”, ou seja, estão puras como o bebé porque ainda não sofreram qualquer tipo de agressão. Em contrapartida, a medula é “uma fonte equivalente”, mas as células “têm diferenças” e, ao longo da vida, vão assimilar as nossas doenças, tratamentos, envelhecimento, hábitos - como fumar, beber álcool, etc - e, quando são usadas, “têm maior probabilidade de rejeição”. E a Joana Gomes, da Crioestaminal, fez uma comparação interessante que ajuda a perceber a lógica: é o mesmo que comparar uma fábrica, que acabou de abrir, com equipamentos novos, com outra fábrica que já produziu muito, tem máquinas antigas, mas vai levar uma limpeza e manutenção para passar a funcionar melhor. Faz sentido, verdade?


Antes de sair de casa para a maternidade com o kit da Crioestaminal

Uma ideia errada que, muitas vezes, surge associada às células estaminais é que são uma espécie de cura para todos os males e que podem ser usadas por toda a família. Não é verdade e a Crioestaminal garante que, acima de tudo, prefere esclarecer os pais com total transparência: “As células estaminais não dão para qualquer familiar ou qualquer circunstância. As células estaminais têm níveis de compatibilidade específicos. Já tivemos pais que foram visitar o laboratório, chegam ao final e dizem ‘O meu pai teve um cancro num rim, posso usar? Não, não pode. Não são utilizadas nestes cancros e a probabilidade de compatibilidade é muito baixa’. E a pessoa acaba por dizer ‘Então já não quero’. Mas nós não faltamos à verdade. Não é a postura da Crioestaminal nem vai ser. Isto não é um comprimido que eu tomo para uma dor qualquer, seja da barriga ou da cabeça. São terapias celulares, que envolvem mecanismos altamente específicos e sensíveis”. No entanto, estas células são “uma opção para um conjunto de doenças limitadas, em que é bom ter opções” por tratarem-se de situações graves, muitas vezes, de vida ou morte.

Por isso, quando, enquanto pais, questionamos o nível de investimento necessário, pode até parecer muito caro quando os nossos filhos estão bem, mas, perante uma situação-limite, dinheiro nenhum vale mais do que a saúde deles. É verdade que o custo da criopreservação das células estaminais não é acessível a todas as carteiras. Mas foi também a pensar nisso - e na crise provocada pela pandemia de Covid-19 - que a Crioestaminal criou várias formas de pagamento: é possível pagar a pronto valores entre os 1300 e os 2000 euros, recorrer a financiamento bancário para pagamentos faseados ou, se for mais confortável para os pais, fazer pagamentos entre os 80 e os 130 euros por ano durante os 25 anos em que as células ficam armazenadas no laboratório.

Além disso, a Crioestaminal tem laboratório próprio e faz investigação na área das células estaminais e, tendo em conta a evolução que houve na ciência nos últimos 10 anos, os próximos 25 podem trazer muito mais.


Este texto foi escrito em Abril de 2021 no âmbito de uma parceria com a Crioestaminal.


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