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  • Foto do escritorMarta Rangel

Estou farta de amamentar

Estou saturada de amamentar. Perdoem-me as mães que queriam ter amamentado e não conseguiram. Ou as que queriam tê-lo feito durante mais tempo e não puderam. Sempre defendi que a amamentação fazia sentido enquanto fosse boa para as duas partes. E já não é há muito tempo. A Caetana faz 3 anos em Abril e ainda pede mama com frequência, sobretudo de noite. Todas as noites. Numa noite “boa”, acorda, para mamar, 2/3 vezes. Numa noite “má” chega a acordar mais de 10 (já deixei de contar para não me causar mais ansiedade). E é muito raro ter noites boas. Pelo menos, comigo (na creche e em casa dos meus amigos dorme lindamente).

Por causa da privação de sono, no Verão, o meu corpo deu um “basta”. Fui-me abaixo e tive que pedir ajuda. Vários tipos de ajuda. Mas preciso de resolver a origem do “problema”. Amamentar não seria um problema se não existissem despertares nocturnos (ou, pelo menos, tantos despertares). Já consultei 4 terapeutas do sono. O primeiro, de uma equipa muito reputada, foi muito simpático, mas sugeriu estratégias pouco exequíveis no meu caso (por ex ser o pai ou a avó a adormecer a Caetana). A segunda, uma Pediatra do Hospital privado que frequentamos, deu-me uma descompustura por eu, excepcionalmente, trocar a ordem do banho e do jantar e por permitir que a Caetana escolhesse a história que lhe conto, ao deitar. Saí de lá a sentir-me uma péssima mãe. E não voltei. Mais recentemente, consultei uma terapeuta muito requisitada, que costuma ter listas de espera enormes, e que, após 30 min de conversa, me “despachou” com uma estratégia que eu nem consegui perceber em detalhe e remeteu qualquer dúvida para o email do local onde trabalha (nem sequer deu o email direto). Desde meados de Dezembro já enviei 2 emails e não obtive resposta. Pior: segui a estratégia que me deu e só piorou. A Caetana passou a ter mais despertares e voltou a pedir mama durante o dia - algo que não acontecia há meses.

Só me senti realmente acompanhada pela @amaeadormecida. E aqui assumo a responsabilidade : eu já estava demasiado cansada para cumprir o plano e coincidiu com a fase em que praticamente me mudei para casa dos meus pais durante 6 meses por motivos profissionais (o que alterou completamente as rotinas). Mas foi a única que esteve sempre à distância de uma mensagem ou telefonema - mesmo a viver fora do país. E, mais importante, disse-me: “Se eu estivesse em Lisboa, ia ajudar-te a tua casa”. É isto mesmo que uma mãe precisa de ouvir. Sobretudo uma mãe solo, esgotada e com uma rede de apoio quase inexistente. Não deveria ser este também o papel dos terapeutas do sono? Intervir, diretamente, quando é necessário? 

Depois também já tentei inúmeras estratégias do senso comum: pôr qualquer coisa desagradável nas maminhas, pôr pensos rápidos e dizer que tenho dói-dói, explicar que estou cansada, procurar diferenciar a noite do dia, recusar… e todas resultaram em horas de choro que não consigo acalmar de maneira nenhuma. 

No meio disto tudo, já ouvi inúmeras opiniões contraditórias:

  • Tens que ser firme e mais radical

  • Tens que ir com calma

  • Se ela dorme contigo, é mais fácil

  • Se ela dorme contigo, é mais complicado

  • Se tomares os comprimidos para secar o leite, em 2/3 dias ela esquece-se

  • Atenção que os comprimidos para secar o leite podem não ser suficientes se houver muita produção e porque ela faz a mama de chucha

  • Dá-lhe uma chucha e insiste até ela pegar

  • Não lhe dês chucha agora senão vais arranjar outro problema

  • Um dia, ela vai deixar de querer mamar

  • Olha que há crianças que mamam até aos 4/5 anos e não deixam por vontade delas

Toda a gente nos diz que a amamentação é importante. E é! Algumas pessoas alertam-nos que podem existir dificuldades ao início. Mas nunca ninguém me referiu, nem por um momento, que o desmame podia ser tão complicado. É só comigo?  

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