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  • Marta Rangel

Para quem ainda não percebeu a gravidade e as consequências da Covid-19

Neste video, partilho um momento da minha Fisioterapia Respiratória. Tenho de fazer estes exercícios 4 vezes ao dia, 10 inspirações de cada vez. Com esforço, disciplina e alguma sorte, segundo os médicos, os meus pulmões poderão regressar ao "normal" no espaço de 6 meses a 1 ano.

Segundo o médico de Reabilitação Respiratória que me segue, para a minha idade, altura e peso, eu deveria ter uma capacidade respiratória de 3 mil litros, em condições normais, e de cerca de 3 mil e 500 litros em esforço. Neste momento, estou a fazer exercícios para atingir os 1000 litros e comecei nos 750.



Partilho este testemunho para alertar, mais uma vez, para a gravidade e consequências da Covid-19: não e uma gripe, não atinge só os mais velhos e vulneráveis nem as pessoas com problemas de saúde. Eu tenho 39 anos, sempre fui saudável, nunca tive problemas de pulmões (nem sequer asma), nem tinha qualquer factor de risco e, mesmo assim, fiquei infectada, tive sintomas graves e estive internada de 27 de novembro a 5 de dezembro no Hospital São Francisco Xavier, três dias nos cuidados intensivos.

Quando cheguei a casa, o simples facto de ter de ir da sala à casa-de-banho - cerca de 5 ou 6 metros - deixava-me extremamente cansada e tinha de ir agarrada às paredes porque não tinha forças. Tarefas simples, do dia-a-dia, como tomar banho ou fazer a cama deixavam-me exausta. Pura e simplesmente, não conseguia estar de pé o tempo suficiente para cozinhar ou arrumar roupa em gavetas, por exemplo.

Tive alta há cerca de 1 mês e meio e sinto-me melhor. No entanto, antes da pneumonia por Covid, fazia treinos com personal trainer (PT) uma a duas vezes por semana. Alem disso, fazia caminhadas de 7 quilómetros, às vezes, duas vezes por dia (ou seja, 14 quilómetros). Actualmente, o simples facto de precisar de dar a volta ao quarteirão para passear a Sunny, a minha cadela, deixa-me exausta. Ainda vou a meio do caminho, para lá, e já estou ofegante.

Para todas as pessoas que estão mais focadas nas excepções do que na regra - ficar em casa; para todas as que arranjam todo o tipo de justificações para sair, peço: por favor, ouçam os apelos dos profissionais de saúde.

Eu estive internada numa altura em que existiam muito menos casos. Tive a sorte de ter sido muito bem tratada. Nesta altura, os médicos, enfermeiros e auxiliares tinham tempo para conversar um pouco, perguntar como eu estava - o que é extremamente importante quando estamos isolados. Não queiram saber o que é estar nos cuidados intensivos e aperceberem-se de pessoas que morreram. Não queiram saber o que é estar sempre a ouvir as máquinas a apitar - dia e noite - a assinalar os nossos sinais vitais. Não queiram saber o que é ouvir uma maquina disparar e questionarem-se o que terá acontecido. Não queiram saber o que é estar sem verem a família, os amigos e passar-vos pela cabeça que, se calhar, não vão sair dali.

Por vocês, pelos outros, por todos os profissionais de saúde que estão a dar a vida por nós: protejam-se. Fiquem em casa!



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